{"id":189,"date":"2018-03-07T20:07:45","date_gmt":"2018-03-07T20:07:45","guid":{"rendered":"http:\/\/gilsonluisdacunha.com.br\/site\/?p=189"},"modified":"2018-03-18T07:28:28","modified_gmt":"2018-03-18T07:28:28","slug":"subgeneros-de-ficcao-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilsonluisdacunha.com.br\/site\/subgeneros-de-ficcao-cientifica\/","title":{"rendered":"Subg\u00eaneros de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p>O termo \u201cfic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d \u00e9 controverso e limitado. Raul Fiker, em seu livro \u201cFic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, Fic\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia ou \u00c9pica da \u00c9poca\u201d, nos lembra de que nomes abrangentes s\u00e3o infelizes. Ele cita o fato de que um romance policial n\u00e3o envolve necessariamente policiais.<!--more--><\/p>\n<p>O Nome da Rosa, por exemplo, \u00e9, sob muitos aspectos, um romance policial. H\u00e1 uma s\u00e9rie de crimes sendo cometidos num mosteiro. Um monge em visita ao local, usa seus poderes de observa\u00e7\u00e3o e a l\u00f3gica para encontrar os culpados e suas motiva\u00e7\u00f5es. Mas o livro n\u00e3o se resume a isso. Do mesmo modo, um romance passado na pr\u00e9-hist\u00f3ria, A Guerra do fogo, que originou o filme de mesmo nome, e que lida com o impacto do uso do fogo por tribos de humanos primitivos em diferentes graus de desenvolvimento, \u00e9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sem precisar ser \u201cfuturista\u201d. H\u00e1 quem prefira o termo mais abrangente de \u201cfic\u00e7\u00e3o especulativa\u201d. Na verdade, atualmente existe at\u00e9 o \u201cretro-futurismo\u201d, uma vertente da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que aborda passados (ou futuros) alternativos, nos quais tecnologias atualmente consideradas obsoletas acabam sendo aperfei\u00e7oadas al\u00e9m dos limites que conhecemos. Uma de suas linhas mais populares \u00e9 o steampunk, aventuras passadas num s\u00e9culo XIX no qual o vapor se tornou a base de tecnologias avan\u00e7adas, como avi\u00f5es, computadores e outros dispositivos.<\/p>\n<p>Eis os subg\u00eaneros de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mais populares. Algumas dessas classifica\u00e7\u00f5es podem ser at\u00e9 discut\u00edveis, mas essa, no geral, \u00e9 a terminologia pela qual eles s\u00e3o conhecidos:<\/p>\n<h2>Space Opera<\/h2>\n<p>Hist\u00f3rias cujo foco \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o profundo, envolvendo as consequ\u00eancias da coloniza\u00e7\u00e3o nem sempre pac\u00edfica de outros mundos e o contato com outras formas de vida e civiliza\u00e7\u00f5es. Star Trek, tanto as s\u00e9ries de TV quanto os filmes, \u00e9 um bom exemplo de space opera televisivo\/cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Entre os autores mais expressivos do g\u00eanero, encontramos A.E Van Vogt (A Guerra Contra O Rull), Isaac Asimov (Funda\u00e7\u00e3o ), E.E. Doc Smith (A cotovia do Espa\u00e7o) e Poul Anderson (Tau Zero).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Cyberpunk<\/h2>\n<p>O Cyberpunk \u00e9 um subg\u00eanero de FC surgido nos anos 80 e que combina alta tecnologia, principalmente a cibern\u00e9tica, com uma atitude anarquista e desencantada com os rumos da civiliza\u00e7\u00e3o. Nos cen\u00e1rios cyberpunk, o mundo \u00e9 dominado pelas megacorpora\u00e7\u00f5es e os protagonistas s\u00e3o, quase sempre, anti-her\u00f3is, c\u00ednicos e an\u00e1rquicos, tentando sobreviver, nem sempre por meios legais ou moralmente question\u00e1veis. Em geral, as hist\u00f3rias se passam em ambientes de alta tecnologia e baixa qualidade de vida, uma met\u00e1fora t\u00e3o v\u00e1lida hoje quando da publica\u00e7\u00e3o das primeiras hist\u00f3rias, h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. H\u00e1 quem diga que o Cyberpunk \u00e9 um produto datado, fruto dos anos 80, quando os primeiros hackers, protagonistas recorrentes do g\u00eanero, fizeram seus primeiros ataques. Contudo, para o p\u00fablico n\u00e3o familiarizado com essa vertente da FC, tradu\u00e7\u00f5es audiovisuais do subg\u00eanero, como a s\u00e9rie Altered Carbon e o filme Blade Runner ainda s\u00e3o bastante populares. Entre os autores mais influentes desse subg\u00eanero est\u00e3o Bruce Sterling (Mirrorshades) e William Gibson (Neuromancer).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Biopunk<\/h2>\n<p>O biopunk, de certo modo, \u00e9 um irm\u00e3o do cyberpunk lida com o impacto da biotecnologia na sociedade, atrav\u00e9s de protagonistas, que se valem de tecnologias como a do DNA recombinante em sua luta contra megacorpora\u00e7\u00f5es ou regimes totalit\u00e1rios. Assim como no mundo da cibern\u00e9tica, seus protagonistas s\u00e3o p\u00e1rias que usam recursos da biologia molecular para alterar seus corpos e obter novas capacidades, n\u00e3o atrav\u00e9s de implantes cibern\u00e9ticos, mas atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o de genes. H\u00e1 quem diga que, apesar de recente, esse subg\u00eanero possui ra\u00edzes antigas, ra\u00edzes que incluiriam Frankenstein, de Mary Shelley, e A Ilha do Doutor Moreau, de H.G. Wells, entre seus pioneiros.\u00a0 Muitos autores j\u00e1 o praticaram, sem necessariamente fazer dessa est\u00e9tica um movimento. Entre os mais conhecidos est\u00e3o, Michael Crichton (Jurassick Park), Octavia Butler (Dawn), China Mi\u00e9ville (Esta\u00e7\u00e3o Perdido) e Ian MacDonald (The Dervish House).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Solarpunk<\/h2>\n<p>Essa \u00e9 uma das mais recentes e, provavelmente a mais diferente vertente narrativa da FC, por um motivo simples. Diferente dos outros subg\u00eaneros, que lidam com cen\u00e1rios frequentemente dist\u00f3picos, o solar punk \u00e9 essencialmente otimista quanto ao futuro da humanidade e se ocupa de responder a seguinte pergunta: Como seria viver num mundo sustent\u00e1vel, abastecido por energia limpa e com um meio-ambiente a salvo das agress\u00f5es de nossa civiliza\u00e7\u00e3o? Apesar de estar em franca ascen\u00e7\u00e3o em pa\u00edses angl\u00f3fonos, coube a um livro brasileiro a primazia de inaugurar essa linha narrativa no Brasil: Solarpunk, Hist\u00f3rias Ecol\u00f3gicas e Fant\u00e1sticas Em Um Mundo Sustent\u00e1vel, colet\u00e2nea de Contos organizada por Gerson Lodi-Ribeiro, em 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Hist\u00f3ria alternativa<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m chamada de ucronia. Assim como utopia se refere \u201ca lugar nenhum\u201d, pois a sociedade descrita por Thomas Moore \u00e9 uma met\u00e1fora, \u201cucronia\u201d poderia ser traduzido como \u201ctempo algum\u201d, uma vez que se refere a linhas de tempo nas quais um ou mais incidentes, chamados \u201cpontos de diverg\u00eancia\u201d, que mudaram por completo a hist\u00f3ria como a conhecemos. A pergunta central da hist\u00f3ria alternativa \u00e9 \u201co que aconteceria se&#8230;?\u201d Em seu livro, COSMOS, Carl Sagan narra um incidente fascinante. Em 1785, Jean-Fran\u00e7oise La P\u00e9rouse deixou a Fran\u00e7a numa expedi\u00e7\u00e3o de circum-navega\u00e7\u00e3o do globo. Entre os v\u00e1rios aventureiros que foram recusados em sua tripula\u00e7\u00e3o estava um jovem oficial de cavalaria chamado Napole\u00e3o Bonaparte. A expedi\u00e7\u00e3o naufragou tr\u00eas anos depois, pr\u00f3ximo das Ilhas Salom\u00e3o, no oceano pac\u00edfico. N\u00e3o houve sobreviventes. Agora, imagine o que teria acontecido se Napole\u00e3o tivesse sido incorporado \u00e0 tripula\u00e7\u00e3o de La P\u00e9rouse? Toda uma s\u00e9rie de eventos, como as guerras napole\u00f4nicas, deixaria de acontecer, nos levando a um presente muito diferente do que aquele em que vivemos. Esse subg\u00eanero \u00e9 um dos mais fascinantes da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, especialmente pelo fato de que sus premissas, com muita frequ\u00eancia se baseiam em possibilidades plaus\u00edveis. Philip K. Dick autor de Androides Sonham Com Ovelhas El\u00e9tricas? livro que inspirou o filme Blade Runner, mesmo n\u00e3o sendo um cultor dessa vertente, nos deu aquela que \u00e9 considerada a mais famosa trama de hist\u00f3ria alternativa de todos os tempos: O Homem do Castelo Alto, que apresenta ao leitor um mundo onde as for\u00e7as do Eixo e n\u00e3o os aliados venceram a segunda guerra mundial. No Brasil, a primeira narrativa de hist\u00f3ria alternativa foi escrita por Gerson Lodi-Ribeiro: A \u00c9tica da Trai\u00e7\u00e3o, publicada na edi\u00e7\u00e3o brasileira da Revista Isaac Asimov Magazine, na qual o autor nos apresenta um mundo no qual o Brasil e a tr\u00edplice alian\u00e7a perderam a Guerra do Paraguai, pa\u00eds que agora \u00e9 um dos mais pr\u00f3speros e avan\u00e7ados do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O termo \u201cfic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d \u00e9 controverso e limitado. 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